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Como Hermione

Como Hermione

Playlist de abril

29.04.22 | A Miúda

     Porque não são só os livros que me acompanham, hoje partilho a playlist das canções que fui ouvindo durante este mês que já está a chegar ao fim!

     Abril foi um mês, essencialmente, de redescobertas, muito por culpa da série Derry Girls. Para quem não conhece, recomendo que a espreitem. Retrata a vida de um grupo de adolescentes, no início dos anos 90, de forma leve e bem divertida. Além disso, se forem fãs da série Bridgerton, esta é uma forma de continuarem a ver a Nicola Coughlan (aka Penelope Featherington), enquanto a terceira temporada não sai, num registo bastante diferente!

 

 

3 Personagens de Que Menos Gostei

22.04.22 | A Miúda

     Na última semana, partilhei aqui algumas das personagens que mais gostei de encontrar em livros, séries ou filmes, e que não me importava de conhecer na vida real. Hoje, partilho o oposto: personagens reais e fictícias que, de alguma forma, me deixaram indignada. 



  Fanny Dashwood

     Fanny Dashwood é uma das personagens do livro Sensibilidade e Bom Senso, de Jane Austen. Esta autora, que viveu entre os séculos XVIII e XIX (1775-1817), habituou os seus leitores a personagens bastante diferentes entre si e a histórias e personagens que poderiam ser vistas como críticas à sociedade da época. 

     No caso de Sensibilidade e Bom Senso, Fanny pertence ao grupo das críticas. Sendo o oposto da protagonista da história e sua cunhada, Elinor Dashwood, Fanny é retratada como sendo uma pessoa falsa, cínica, invejosa, arrogante e avarenta. Tanto ela como outras personagens, são apresentadas como pessoas que dão mais valor ao que parece ser do que ao que realmente é. 

 

  Dolores Umbridge

     Em muitas histórias, e em especial nas de fantasia, existem os heróis e os vilões. Em Harry Potter, há uma pequenina diferença: existem, sem dúvida alguma, heróis; o vilão principal é Voldemort, a maioria das personagens tem tanto medo dele que nem o seu nome ousam pronunciar; e depois existe Dolores Umbridge que, ao lado de Voldemort, faz com que ele não pareça assim tão mau. Não se deixem enganar pelos seus sorrisos, pelas suas fatiotas cor de rosa ou pelos gatinhos que tem no seu escritório; esta mulher é o diabo em pessoa!

     Desde que aparece pela primeira vez, em A Ordem da Fénix, Umbridge vai se tornando cada vez mais relevante na história, ganhando, igualmente, cada vez mais poder em Hogwarts. Na escola de magia, é conhecida pelos maus tratos e abusos que comete contra os alunos, levando a que tanto alunos como professores a desprezem. 

 

  Josef Mengele

     Até ao momento de partilhar esta publicação, estive sempre na dúvida se devia ou não incluir Mengele nesta lista. Se as duas personagens anteriores foram inventadas e podem ser facilmente esquecidas, esta é uma personagem real, ou seja, existiu mesmo, e que teve um papel importante na história mundial. As ações de Mengele foram macabras e sinistras, no entanto, por vezes parece que ficaram um pouco esquecidas. Por um lado, ainda bem, mas Mengele desempenhou um papel importante durante a Segunda Guerra Mundial e o seu contributo deveria estar impresso nos livros escolares de história e, honestamente, não me lembro de ter alguma vez ouvido falar deste senhor quando andava na escola.

     Os temas da Segunda Guerra Mundial e do Holocausto são temas sobre os quais gosto de ler, não é segredo e acho que já o escrevi várias vezes nesta página. E em histórias sobre este período, em especial sobre os campos de concentração nazi, encontramos uma situação semelhante à anterior, em que há um vilão e uma personagem, que apesar de por vezes ficar esquecida, é tão má ou pior que o vilão propriamente dito. Neste caso, temos Hitler como pessoa malvada e desprezível por todo o sofrimento causado a milhares e milhares de pessoas inocentes (semelhante ao que o mundo vive atualmente!). Mas, depois, existe outra pessoa que consegue ser pior que o político alemão: estou a falar do Doutor Josef Mengele.

     Também conhecido por “Anjo da Morte”, Mengele foi um oficial e médico que estava presente no campo de concentração de Auschwitz. Mengele foi o responsável pela perda de demasiadas vidas, em situações diferentes: escolhia quem seria enviado para as câmaras de gás e, no campo, realizava experiências médicas, em especial sobre a genética humana, tendo como cobaias favoritas, gémeos. Existem vários artigos na internet sobre as experiências que foram feitas pelo “Anjo da Morte” e cada uma é mais macabra que a anterior. Como consequência destas experiências, várias pessoas, em especial crianças, perderam a vida: algumas por não aguentarem o sofrimento a que estavam sujeitas, outras por deixarem de ter utilidade, aos olhos de Mengele.

3 Personagens que Gostava de Conhecer

15.04.22 | A Miúda

     Por vezes, cruzamo-nos com pessoas que nos deixam a pensar “Quem me dera ser assim”, pessoas cuja história de vida nos inspira ou cuja personalidade nos apaixona. Também nos livros e nos filmes/séries, de vez em quando aparecem personagens que nos encantam, seja por que motivo for, e que não nos importávamos de conhecer na vida real. Quanto a mim, já me cruzei com várias personagens assim que é difícil escolher apenas 3, mas cá vai!

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   Hercule Poirot

     Hercule Poirot é o célebre detetive belga criado pela “rainha do crime”, Agatha Christie.

     Tão conhecido pelo seu generoso bigode e estilo elegante como pela sua inteligência e boa capacidade de observação, Poirot é uma das personagens populares entre os amantes de livros de mistério. O que o torna tão especial e o que o distingue dos seus colegas de profissão é a capacidade de ver para além do óbvio, investigando os crimes não tanto com base nos objetos que são encontrados nos locais do crime nem pela aparência das vítimas, mas antes com base na psicologia e comportamento humanos. De certa forma, para quem conhece a série O Mentalista, Poirot é uma espécie de Patrick Jane.

 

   Amy March

     Amy é uma das 4 irmãs da família March, do romance de Louisa May Alcott, Mulherzinhas. É, talvez, a personagem que sofre uma maior mudança ao longo da história. No início, conhecemos uma Amy bastante infantil e mimada, como que uma sombra de Jo, sua irmã mais velha. No final, percebemos que cresceu e se tornou uma mulher astuta e inteligente, ciente das suas capacidades e das limitações que a sociedade lhe impõe.  

 

   Eloise Bridgerton

     Nunca li os livros da saga Bridgerton, da Julia Quinn, e evitei ver a série durante algum tempo. Mas, assim que vi o 1° episódio, percebi o porquê de tanta euforia! O nome desta saga "rouba" o apelido da família protagonista da história, a família Bridgerton. Ao longo dos 8 livros que compõem a saga e ao longo das, por enquanto, 2 temporadas da série, entramos na vida desta família, composta pela Lady Bridgerton (mãe) e os seus 8 filhos.

 

     Esta história acontece durante as primeiras décadas do século XIX e cedo se percebe o tipo de sociedade da época. Neste período, as mulheres ainda não tinham quaisquer direitos, eram vistas como meros objetos, sujeitas às vontades masculinas e vistas como seres inferiores. As suas principais ocupações eram a leitura, a música e os bordados, atividades que lhes poderiam dar pontos extra na altura de arranjar marido, e, claro, a vida doméstica. Normalmente, e em especial nas histórias de época, as personagens que mais me fascinam são aquelas que vão além do que é socialmente aceitável, aquelas que não têm medo de quebrar regras e de expressar aquilo que realmente sentem. Eloise Bridgerton é tudo isso!

 

     Eloise é a quinta filha da Lady Bridgerton e, talvez, a mais rebelde. Não compreende a sociedade, não aceita muitas das convenções adotadas e, de certa forma, despreza-a. Ao contrário de muitas das raparigas da época, Eloise não tem pressa em arranjar marido, aliás, isso nem sequer é algo que lhe passe pela cabeça. A sua maior preocupação é a de "alimentar a mente".

Desistir ou Continuar a Ler?

08.04.22 | A Miúda

     Certamente, enquanto leitores, já todos encontramos um livro que nos fez duvidar sobre se deveríamos ou não continuar a lê-lo. Isso aconteceu-me recentemente com Madame Bovary, de Gustave Flaubert, e sim, em várias ocasiões tive vontade de atirar o livro pela janela fora.

 

     Querer abandonar um livro não significa que ele não seja bom, simplesmente, não é bom para nós ou tivemos o azar de o ler quando não devíamos. Sim, porque eu acredito que cada livro tem o seu próprio tempo, mas isso pode ficar para outra altura!

 

     Existem vários fatores que tornam um livro menos interessante. Por exemplo, no caso de Madame Bovary, o facto de ter lido uma versão antiga (de 1969), editada em português do Brasil, não me ajudou em nada na leitura, antes pelo contrário. Noutros casos, poderá ser a própria história e enredo que não cativam o leitor, as suas personagens, a forma de escrita, etc.

 

     Desistir de uma leitura é tão válido como levá-la até ao fim. Desistir de um livro, é quase como assumir um erro. Afinal de contas, tivemos de gastar energia, tempo e dinheiro para o escolher e começar a ler. Mas, por outro lado, todos nós temos o tempo limitado, seja por questões naturais ou pelas obrigações de cada um. Desistir de um livro é, de certa forma, dar valor ao nosso tempo. Enquanto leitores, existem milhares de livros por descobrir e outros tantos que nunca seremos capazes de ler, por muita vontade que tenhamos. Por isso, se a leitura, para muitos de nós, significa esquecer por momentos as preocupações e stresses do dia-a-dia, porquê insistir em livros que não nos dizem nada?

Resenha Literária: Oito Crimes Perfeitos

01.04.22 | A Miúda

     Para mim, um bom livro é aquele que é capaz de prender o leitor desde a primeira página. Oito Crimes Perfeitos, um thriller de Peter Swanson, não desiludiu!

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   Breve sinopse

     Malcolm Kershaw é co-proprietário de uma livraria. No início da sua carreira, escreveu uma lista com o que para ele eram os melhores crimes do mundo literário. Oito crimes cometidos de forma engenhosa e que ficaram por resolver. Certo dia, Malcolm recebe a visita de uma agente do FBI que acredita que alguém está a copiar essa lista, cometendo os crimes, na vida real. Malcolm decide reler os livros da lista, aceita ajudar a agente do FBI na investigação e parte à procura de potenciais suspeitos. E nada volta a ser como dantes!

 

   Temas base

     Apesar de não ter considerado este livro muito violento nem muito gráfico, ele aborda temas que podem ser sensíveis a algumas pessoas e que podem funcionar como gatilhos! 

  • violência física: os oito crimes retratados na lista criada por Malcolm referem-se a oito ou mais assassinatos, cada um em circunstâncias diferentes, cada um com níveis de violência diferentes. Apesar de no livro estes homicídios não serem abordados com grande detalhe, há um ou outro que foge à regra;
  • violência sexual: este não é um tema recorrente, mas que aparece de forma esporádica. 

 

   Opinião

     Este foi um livro que me prendeu logo na primeira página e é cheio de referências bibliográficas (para quem gosta de thrillers, acaba o livro com uma boa lista de leitura!). 

     O livro está escrito de forma inteligente e coloca o leitor a tentar descobrir quem é o verdadeiro criminoso antes do próprio autor o revelar! Nada é dado de forma imediata, o que pode significar algum sofrimento para quem lê mas, ao mesmo tempo, aumenta o suspense e a vontade de ler sempre mais um capítulo. Também a identidade do criminoso não é descoberta de forma imediata e, honestamente, não estava à espera do desfecho!

 

     Não sei se neste livro é possível escolher uma personagem favorita. Mas, digamos que senti uma certa empatia pelo narrador (personagem principal). Ao longo da leitura, vamos percebendo a sua dificuldade em criar e manter relações, vamos percebendo o porquê de certas atitudes e que, apesar de algumas decisões tomadas no passado, ele é uma pessoa boa. Resumindo, vamos criando empatia com essa "pessoa".

 

   Recomendo?

     Para quem gosta de policiais, este livro é uma ótima opção! É um livro cativante e que está repleto de referências a outras grandes obras do mesmo género. Além disso, não é necessário conhecer essas referências para se compreender este livro!