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Como Hermione

Como Hermione

Playlist 2021

28.01.22 | A Miúda

     Para quem segue esta página, terá (ou não) reparado que todos os meses é partilhada uma lista com as minhas músicas favoritas da altura. Estas listas não servem só para encher espaço. Tal como os livros, a música é uma das minhas paixões, é algo que está presente no meu dia-a-dia e que me faz sentir bem. Aliás, acho que isso acontece com qualquer um de nós, não é? Afinal de contas, a música está presente em todo o lado e em tudo o que fazemos.

 

     Já que janeiro é o mês dos balanços, hoje partilho os meus favoritos musicais de 2021! A lista resume-se a 14 obras e procurei que fossem diversificadas, não só em relação ao artista, como também em relação ao género. A lista começa com fado, em primeiro com Amália Rodrigues (tinha de ser, certo?) e, em segundo, com Carlos do Carmo. Nunca fui grande apreciadora deste género musical, para falar a verdade, nunca foi um género que se ouvisse cá por casa nem na rádio, mas é um género que tenho vindo a descobrir e que me tem cativado! De seguida, uma das vozes mais doces de Portugal e a intérprete daquela que para mim seria a canção vencedora da Eurovisão em 2020: Elisa! 2021 também foi o ano de redescobrir uma das minhas bandas favoritas quando andava no secundário: Ciclo Preparatório. Para encerrar o conjunto português, temos Pedro Abrunhosa e Ana Bacalhau.

 

     Quando andava na escola, o francês era uma disciplina obrigatória e que eu detestava. No entanto, com o passar do tempo (e talvez pelo facto de viver numa zona que em agosto fica cheia de emigrantes) fui-me apaixonando por esta língua. Aliás, apesar de não ser de fazer resoluções de ano novo, este ano decidi que quero trabalhar o meu francês! Uma das minhas artistas francesas favoritas (e já agora, aceito recomendações!) também tinha de fazer parte dos favoritos de 2021 e é ela a Pomme (fisicamente, uma fotocópia da nossa portuguesa Daniela Melchior!). A ela segue-se Taylor Swift, The Greeting Committee, Toby Sebastian e Time for T. 

 

     Em relação às obras sem voz, da lista constam Sinj Clarke e a Orquestra Filarmónica de Praga.

 

     Bom fim de semana 

O Mundo Sombrio de Sabrina

21.01.22 | A Miúda

     “O Mundo Sombrio de Sabrina” ou “Chilling Adventures of Sabrina”, como preferirem, é uma série da Netflix sobre bruxas e demónios mas, para mim, é, acima de tudo, um hino ao feminismo e ao matriarcado. Foi uma série que comecei a ver por acaso, na véspera de Halloween, e só me arrependo de não ter começado mais cedo!

 

     Nota: Apesar de ter muita coisa estranha a acontecer, de conhecermos demónios novos em cada episódio e de haver sangue à mistura, não achei a série demasiado violenta ou assustadora (palavra de alguém sensível a esse tipo de conteúdo!). No entanto, se forem mais sensíveis a este tipo de conteúdos, tenham isso em atenção antes de começarem a ver a série!

 

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Fonte: IMDb.COM

 

   Breve sinopse

     Sabrina é uma adolescente metade bruxa metade mortal. No dia em que faz 16 anos, tem de decidir qual das metades quer que prevaleça: ou faz o seu batismo negro, assina o seu nome no livro da Besta e torna-se, oficialmente, uma bruxa; ou renega a tudo isso, perde os seus poderes e torna-se, na totalidade, uma mortal. Qualquer uma das decisões traz consequências para ela e para todos os que estão à sua volta.

 

   Temas Base

     “O Mundo Sombrio de Sabrina” é uma série que aborda vários temas. O tema principal é, talvez, o tema do feminismo: o empoderamento feminino, a luta pela igualdade de direitos e de oportunidades entre géneros, em qualquer idade. Durante toda a série, existem várias cenas de grande machismo, tanto na comunidade mortal como na comunidade bruxa. Ainda assim, as raparigas e mulheres das duas comunidades unem-se e não desistem de lutar por aquilo em que acreditam!

 

   Opinião

     Esta série tem 4 temporadas (cerca de 8 episódios por temporada, cada episódio com 1 hora), que representam cerca de 1 ano na vida de Sabrina. Na primeira temporada, Sabrina faz 16 anos e começa, oficialmente, a trilhar o seu caminho enquanto bruxa. Na última temporada, ela completa 17 anos e percebemos o seu crescimento e a maturidade que ganha ao longo das temporadas.

 

     Apesar de ter adorado cada episódio e todas as temporadas, na minha opinião, as duas primeiras estão mais bem trabalhadas que as restantes. Na primeira temporada, vemos Sabrina a adaptar-se a um mundo novo, mundo esse que até ao seu 16º aniversário estava meio que adormecido. Também percebemos que apesar da sua personalidade forte e espírito de justiça, ela é uma miúda muito ingénua! Há uma cena, em particular, em que uma das personagens é possuída e sofre uma mudança radical. Foi preciso esperar até metade da temporada para alguém suspeitar desta mudança! Eu percebo que é preciso “fazer render o peixe”, mas Sabrina, como é que tu, que foste educada por bruxas e o mundo da bruxaria não é novidade para ti, não deste conta de nada, nem achas-te essa mudança suspeita?? 

 

     Na segunda temporada, há muita coisa a acontecer, várias personagens passam por muitas mudanças importantes. Na terceira, às categorias “drama”, “fantasia” e “horror”, podemos juntar a categoria “musical”. O que é que aconteceu para as séries passarem a querer incluir episódios de cantoria e dança? Não é que eu me importe, eu gosto de um bom musical. Mas nem sempre faz sentido fazer esse tipo de episódio! Nesta série, em especial, na terceira temporada, todos os episódios passaram a incluir cenas musicais. Ao mesmo tempo, parece que tudo acontece demasiado rápido, sem um forte elo de ligação. Isso mantém-se na quarta temporada.

 

     A série acabou por ser cancelada e o seu final é um pouco agridoce, mas ao mesmo tempo compreensível e até previsível, em especial, se tivermos em conta o percurso da Sabrina ao longo destas quatro temporadas. 

 

   Personagem favorita

     Nesta série, é difícil escolher uma personagem favorita, há tantas personagens tão boas! Uma das que mais gostei, no entanto, foi a personagem da tia Hilda Spellman. Normalmente, quando vemos alguém que é mais sossegado ou que consideramos ser boa pessoa, podemos cair na tentação de achar que essa pessoa será sempre assim, que não é capaz de se fazer impor ou de atacar quando é necessário. A tia Hilda é alguém que gosta de servir e ajudar os outros mas, ao mesmo tempo, é alguém que luta pelo que quer e pelo que a faz feliz. Se alguém ataca aqueles que ela ama, esse alguém pode esperar que ela também ataque. É sossegada, mas não é ingénua. É alguém que anda sempre alegre, mas que também tem os seus medos. É alguém que gosta de ajudar e servir o outro, mas não é submissa. A tia Hilda é uma personagem muito maior do que aquilo que mostra; é uma personagem com muitas camadas, o que a torna uma verdadeira caixa de surpresas!

 

   Recomendo?

     Recomendo esta série para quem gosta do universo fantástico!

     Quando era miúda, lembro-me de acompanhar uma série portuguesa chamada “A Minha Sogra é uma Bruxa”, ou algo parecido, que dava na RTP e onde participavam atores como Rosa Lobato Faria, Rita Blanco e Ana Bustorff. Lembro-me de adorar essa série e de imaginar como seria ser uma bruxa! “O Mundo Sombrio de Sabrina”, apresenta uma outra abordagem ao mundo da magia, uma abordagem igualmente interessante e cativante!

Últimas Aquisições de 2021

14.01.22 | A Miúda

     E pronto, mais um Natal que se foi e um novo ano que chegou! Esta não é das minhas épocas favoritas, mas ainda assim, gosto da ideia de um novo começo, ainda que isso possa acontecer em qualquer altura do ano, assim haja vontade. 

     Muita coisa aconteceu em 2021, uma delas foi o “nascimento” desta página! Com a pandemia, as aulas à distância e um curso para terminar, este blogue ajudou-me a distrair de todas as confusões e stresses que foram acontecendo fora do ecrã. E para quem foi acompanhando o Como Hermione ao longo do ano que passou, muito obrigada! Obrigada e espero que continuem por aqui em 2022!

 

     Dezembro foi um bom mês, no que a livros diz respeito. Não que tenha lido muitos, nada disso, mas consegui comprar alguns que queria, há já algum tempo! Um deles, por sugestão de alguém que também anda pela sapolândia

 

     A publicação de hoje também se podia chamar “Diz-me que gostas de clássicos, sem dizer que gostas de clássicos”. Desta lista constam títulos mais ou menos conhecidos: 

  • Madame Bovary 
  • O Mandarim, para tentar curar o meu trauma em relação a Eça de Queirós (obrigada Sweet!)
  • Crónicas Italianas, que eu desconhecia tanto o título como o autor; 
  • O Homem que era 5ª-Feira, outro que também nunca tinha ouvido falar, mas achei a sinopse bastante interessante; 
  • Os Herdeiros da Lua de Joana é uma continuação d’A Lua de Joana, livro que li em 2021 e adorei, embora já tenha lido este segundo e fiquei um pouco desiludida (resenha no próximo mês!); 
  • Emma, desde que li Orgulho e Preconceito fiquei com grande vontade de continuar a ler obras da autora (Jane Austen); 
  • Quando os Vampiros Amam, um livro de poesia, um dos estilos que eu menos gosto mas que, tal como Eça de Queirós, estou a tentar resolver.

 

     Os textos que se seguem e que acompanham cada um dos títulos adquiridos foram retirados das respetivas contracapas, à exceção das Crónicas Italianas (que foi retirado do site Goodreads) e do Quando os Vampiros Amam (retirado do site da Wook).

 

   Madame Bovary, Gustave Flaubert

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     “Madame Bovary sou eu.” Com esta frase, Flaubert respondia aos que lhe perguntavam quem servira de modelo à sua personagem, uma das mais altas criações da literatura ocidental de todos os tempos.

     Com esta frase aludia aos sonhos exaltados de volúpia e ideal que existem no íntimo de todo o homem. Madame Bovary representa, a um tempo, a doçura do amor conjugal, como a encara o marido, e os arroubos desmedidos de sensualidade da amante. Após ter sido causa de escândalo, originando uma terrível batalha judicial contra a liberdade artística, este livro é hoje lido e admirado pela perfeita compreensão que revela da natureza humana.

 

   O Mandarim, Eça de Queirós

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     “[...] Um conto fantasista e fantástico, onde ainda se vê, como nos bons velhos tempos, aparecer o Diabo, embora de redingote, e onde ainda há fantasmas, embora com ótimas intenções psicológicas.”

 

     Um sério aviso ao leitor contra o egoísmo potencialmente criminoso que existe em cada homem.

 

     Uma obra em que o traço caricatural do génio queirosiano é tão evidente que dispensaria o autor de lhe apor a sua assinatura.

 

   Crónicas Italianas, Stendhal

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     Pouco antes de escrever "A Cartuxa de Parma", Stendhal adquiriu "alguns manuscritos antigos em tinta amarelada" dos séculos dezasseis e dezassete que lhe apresentavam personagens e costumes da Renascença italiana e pós-renascentista vivos. Mas o que o interessou nessas crónicas não foi o seu valor puramente histórico, mas o mundo de paixões enérgicas, amores terríveis ou extremamente ternos e crimes de alto perfil que eles trouxeram à tona. Como refletido em "Red and Black", Stendhal sempre foi atraído por crimes belos, o resultado trágico de amor desenfreado e traído, vingança por ofensas à honra ou ambições desordenadas. A sua tradução, adaptação e transformação daquelas Crónicas italianas ("A Abadessa de Castro", "Vittoria Accoramboni", "Los Cenci", "A Duquesa de Palliano", "San Francesco a Ripa", "Vanina Vanini", "Favores que matan "e" Suora Scolastica ") fez com que se tornassem parte da sua obra com os mesmos méritos de seus grandes romances. 

 

   O Homem que era 5ª Feira, G. K. Chesterton

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     A ironia é uma arma terrível. E como a autêntica literatura sempre intervém junto dos homens, Chesterton - um verdadeiro criador - usa-a para o seu combate de marginal voluntário, que repensa, através da sátira e da fantasia, a realidade quotidiana. O riso, a gargalhada, são inevitáveis durante a leitura das obras de Chesterton, exemplar cultor do humor inglês; mas, depois, fica-nos a ideia de termos ido além do mero divertimento. Personalidade complexa, que se expressou em poesia, em novela, ensaio, jornalismo, Chesterton haveria de encontrar no romance o veículo ideal para criticar o mundo onde viveu e nós vivemos. E foi essa a sua preocupação maior: investigar o sentido das obrigações que o progresso impôs ao indivíduo, seriamente ameaçado de se transformar em peça de máquina. “O Homem que era Quinta-Feira”, com certeza a sua obra-prima, analisa aquilo a que hoje se chama uma sociedade de consumo. De quem se ri Chesterton? De quem nos rimos nós? De nós próprios? Dos outros? De um pesadelo? …

 

   Os Herdeiros da Lua de Joana, Maria Teresa Maia Gonzalez

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     A partir do livro A Lua de Joana, escreveu Maria Teresa Maia Gonzalez esta peça de teatro onde vamos encontrar as suas personagens no momento do luto pela perda irreparável que sofreram. Confrontam-se entre si, transmitindo uma advertência contra o uso de drogas que é cada vez mais importante nos tempos que correm. Se gostaste de A Lua de Joana, não vais querer deixar de ler este livro.

 

 

 

   Emma, Jane Austen

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     Em Highbury, Inglaterra, no início do século XIX, conhecemos a história de Emma Woodhouse, uma jovem inteligente cuja convicção nas suas capacidades de casamenteira leva a uma série de desastres amorosos.

     Embora esteja convencida de que nunca se irá casar, Emma acredita que é uma excelente promotora de casamentos entre os seus conhecidos. Ela efetivamente orquestrou o recente casamento da sua antiga governanta, Miss Taylor, e do viúvo Mr. Weston.

     Emma está determinada a gerar outro casamento após tal sucesso: toma Harriet Smith como sua protegida e decide de imediato encontrar-lhe um marido. Procura transformar Harriet numa dama, melhorar as suas escolhas, particularmente no que toca às suas afeições amorosas. Ela persuade Harriet a deixar Robert Martin, o jovem agricultor que gosta dela, e a perseguir Mr. Elton, o clérigo da cidade.

     Austen constrói um universo social cheio de erros amorosos, descuidos sociais, e vários exemplos de costumes sociais ridículos. Ao fazê-lo, destaca como a sociedade gera expectativas irrealistas - mas também sublinha de que forma as pessoas se apoiam em convenções sociais para conseguirem sobreviver.

 

   Quando os Vampiros Amam, Rui Sousa

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     "Quando os Vampiros Amam" é a busca, incessante, da resposta para as diversas questões que vão sendo sugeridas ao longo dos próprios poemas, na angústia existencial do poeta. Uma visão extremamente particular do mundo. Um livro sobre o amor e a morte.

     É ainda uma viagem à marginalização social - assumida aqui como postura social e acto intelectual.