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Como Hermione

Como Hermione

Favoritos de 2021

17.12.21 | A Miúda

     À semelhança de 2020, 2021 foi um ano estranho, não concordam? Talvez, ainda mais estranho: o Covid já não é propriamente uma novidade, vieram as vacinas, tão depressa nos dizem que já podemos sair de casa como nos mandam voltar a entrar, etc., etc.

     Bem, estranho ou não, a verdade é que este ano já está a chegar ao fim, já cheira a rabanadas e a aletria e 2022 já anda à espreita. Como tal, decidi partilhar os livros que mais gostei de ler durante este ano!

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   A Casa dos Espíritos, de Isabel Allende

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     Recebi este livro como presente, no último Natal. Comecei-o a ler quase de imediato e foi o primeiro livro que li da autora, Isabel Allende. Não conhecia a autora, por isso, também não sabia bem com o que contar. Lembro-me de ficar encantada, logo no início, com a forma que a autora utilizava para descrever cada cena e cada personagem!

     A história atravessa várias gerações e em algumas partes, achei-a semelhante a Cem Anos de Solidão, de Gabriel García Marquez. A história retrata a vida de uma família, desde a sua fundação, os preconceitos que existem e as mudanças que foram acontecendo na sociedade e que permitiram a sua evolução. É um livro que tem muito drama, muita fantasia, romance e alguma história!

 

   A Rapariga que Roubava Livros, de Markus Zusak

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     Este foi dos poucos livros que me fez chorar e só por isso, já merece um lugar nesta lista! A Rapariga que Roubava Livros retrata uma das épocas mais negras da nossa história enquanto humanidade, mas, também, uma das épocas sobre a qual eu mais gosto de ler: a II Guerra Mundial e o Holocausto. Obviamente, estes não são temas que devam ser romantizados nem tratados de forma leve. No entanto, fazem parte da nossa história e não devem ser esquecidos. Conhecer a nossa história é muito importante para evitar que voltemos a cometer os mesmos erros (ainda que esse pareça ser o desejo de alguns!).

     Aqui no blogue, já existe uma resenha deste livro, mas resumindo, o livro retrata a história de uma menina que é enviada para a adoção. A sua história é contada pela personagem Morte, que se cruza com ela em alguns momentos.

 

   A Lua de Joana, de Maria Teresa Maia Gonzalez

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     Quando andava na escola, este livro era de leitura obrigatória. A verdade é que passados não sei quantos anos, já não me lembrava de grande parte da história.

     Para quem nunca leu, a Lua de Joana é um livro escrito na forma de cartas que a Joana escreve à sua melhor amiga, a Marta. É um livro que me emocionou e me deixou revoltada, que foca nos problemas associados ao consumo de drogas, no luto, na depressão, no isolamento, etc. Joana escreveu estas cartas como forma de lidar com a perda da sua melhor amiga, que morreu de overdose, e como forma de lidar com a solidão que sente. Se são mais sensíveis a estes temas, não leiam o livro; se não forem, leiam! É um livro muito bom!

 

     Esta foi a última publicação de 2021! Regresso ao ativo em 2022, com novidades e publicações fresquinhas!

     Até lá,

     Boas festas!

3 Autores a Conhecer

10.12.21 | A Miúda

     Sabiam que nas redes sociais existem verdadeiras comunidades dedicadas ao mundo dos livros? Comunidades formadas por pessoas dedicadas à divulgação de livros e de novos (e velhos) autores. Um paraíso para quem gosta de ler, uma seca para quem tem outras vontades…

     A verdade é que existem comunidades deste género para todos os gostos, é só escolher. Mas voltando aos livros, que é isso que me traz aqui, esta comunidade (no instagram chama-se bookstagram ou bookstan) é uma ótima opção para descobrir novos autores, mas também, para divulgar aqueles que não têm tanta atenção. Para hoje, decidi partilhar 3 autores que podem não ser propriamente novidades, mas foram os que escreveram alguns dos meus livros favoritos, cada um num género diferente!

 

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   Jane Austen

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     Nascida em 1775, no Reino Unido, Jane Austen utilizava a escrita para fazer críticas à sociedade da época, com um toque de humor à mistura.

     Inicialmente educada pelo pai, pelos irmãos e pelos livros que lia, cedo começou a escrever para a sua família pequenas obras para serem representadas. Já em adulta, produziu aquelas que são algumas das suas maiores obras: Sensibilidade e Bom Senso (1811), Orgulho e Preconceito (1813), Mansfield Park (1814), Emma (1816) e Persuasão (1818).

     Jane faleceu em 1817, aos 41 anos.

 

     Já disse algumas vezes que não sou grande fã de romances, ainda assim, de vez em quando cá estou eu, a falar deles… A verdade é que sou um pouco exigente em relação a este género literário. Muitos romances, em especial os modernos, parecem-me sempre iguais: podem mudar as personagens e as suas histórias, mas tudo o resto permanece igual. E isso incomoda-me quando estou a ler, porque torna bastante óbvio o que virá a seguir. No caso dos romances de época, isso nem sempre acontece.

     O primeiro livro que li de Jane Austen foi “Orgulho e Preconceito” e foi um livro que adorei! Lembro-me que foi um livro que me cativou logo desde a primeira folha. Adorei as personagens e a dinâmica entre elas, mas, acima de tudo, adorei a esperteza, leveza e humor da autora na forma como contava a história. Tenho de voltar a ler!

 

   J. K. Rowling

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     Para quem não conhece (e não acredito que haja alguém que ainda não ouviu falar nesta senhora ou nos livros que ela escreveu!), J. K. Rowling é quem todos (miúdos e graúdos) devemos agradecer por nos ter presenteado com Harry Potter.

J. K. Rowling, também conhecida como Joanne Rowling (a letra K no nome não corresponde ao seu nome verdadeiro!), nasceu em Inglaterra, em 1965. A ideia para escrever a saga do feiticeiro mais conhecido do mundo surgiu numa viagem de comboio e algumas das personagens são inspiradas nas suas próprias experiências. Escreveu mais três livros relacionados com Harry Potter, cujas receitas são direcionadas para instituições de solidariedade: Quidditch Através dos Tempos e Monstros Fantásticos e Onde Encontrá-los, a favor da Comic Relief (instituição que luta contra a pobreza), e Contos de Beedle o Bardo, a favor da Lumos (instituição que luta pelos direitos das crianças).

. Rowling também escreve romances policiais, publicados sob o pseudónimo Robert Galbraith. Alguns exemplos desses livros são: Quando o Cuco Chama (2013), O Bicho da Seda (2014) e Carreira do Mal (2015).

     Enquanto fã de Harry Potter só tenho a dizer: J. K. Rowling, obrigada por criares um universo fantástico, onde miúdos e graúdos se podem encontrar e ser felizes!

 

   Luís Miguel Rocha

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     As duas autoras anteriores trouxeram-nos romances e universos mágicos, já este senhor trouxe-nos crimes e mistérios!

     Luís Miguel Rocha nasceu no ano de 1976, na cidade do Porto. Esteve ligado à televisão e trabalhou como tradutor de livros até que decidiu dedicar-se em exclusivo à escrita. Publicou seis obras, quase todas (à exceção da primeira), dedicadas ao Vaticano e relacionadas com alguns dos crimes que aconteceram na Igreja. Faleceu em 2017, em Viana do Castelo, vítima de doença prolongada.

 

     Este autor passou a ser o meu escritor português favorito, no que a mistérios diz respeito, desde o primeiro livro que li dele. A sua forma de escrever e de estruturar e apresentar uma história faz com que o leitor fique agarrado ao livro, com vontade de saber o que vem a seguir, como é que determinada ação se vai desenrolar e o que é que vai acontecer a certa personagem. Não estou a exagerar quando digo que os livros dele viciam (talvez à exceção do primeiro, A Virgem, que não me cativou tanto)! De todos os livros que tenho cá por casa, os livros de Luís Miguel Rocha são os que menos tempo passam parados na estante e são os que toda a gente da família quer ler. São excelentes para quem gosta de um bom mistério!

 

     E vocês, contem-me coisas, quais são os vossos autores/livros favoritos?

 

     Nota: As imagens dos 3 autores foram retiradas da respetiva página do Goodreads. As informações relacionadas com as suas vidas, foram retiradas do Goodreads, da livraria online Wook e da Wikipédia.

Resenha Literária: A Metamorfose

Classificação: 4,5/5

03.12.21 | A Miúda

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     Há quem diga que existe um tempo próprio para ler determinado livro, como se a leitura de certas histórias deva ser antecedida por uma espécie de fase de maturação. Só recentemente descobri o significado dessa frase e não posso estar mais de acordo!

     Já tinha lido “A Metamorfose” no passado. Na altura, não percebi do que se tratava e achei a história bastante estranha (e parva). Recentemente, e em jeito de brincadeira, decidi voltar a pegar neste livro que é um clássico. Não sei se desta vez percebi a mensagem, mas sem dúvida que a reação foi diferente da inicial.

 

---------- O Autor ----------

 

     Nascido em 1883 onde hoje se situa a República Checa, Franz Kafka é considerado um dos maiores autores do século 20.

     Durante a sua vida, Kafka publicou poucas histórias e o único romance que conseguiu terminar foi “A Metamorfose”. Antes de morrer, Kafka escreveu uma carta a um amigo a pedir que este queimasse todos os seus manuscritos. Em vez de queimados, os manuscritos foram publicados, fazendo com que o reconhecimento pelo seu trabalho só tenha surgido após a sua morte.

 

---------- Resumo ----------

 

     O protagonista desta história é Gregor Samsa. Gregor, um caixeiro-viajante que mora com os pais e a irmã, é o sustento da família. Certo dia, acorda num corpo que não é o seu: em vez de ter a forma de um homem, o seu corpo tem a forma de um inseto. E não é só o seu aspeto que muda, também a sua voz e as suas palavras deixam de ser percetíveis a quem o ouve.

 

---------- Opinião ----------

 

     A história retrata um homem que, após sofrer algumas mudanças, é abandonado pela família e é olhado de lado e com medo por quem se cruza com ele. Por um lado, os pais não aceitam esta mudança e aguardam o dia em que o filho voltará ao seu estado normal e a irmã acaba por ser a única que é capaz de cuidar dele. Por outro, a família procura manter Gregor fechado no quarto, como que escondido do mundo, para que ninguém o veja.

     A mensagem que eu retiro desta história é a seguinte: ela faz um retrato da forma como a sociedade encara e marginaliza aqueles que escolhem não seguir as regras, que não seguem o que é bonito ou politicamente correto, mas que preferem, em vez disso, ser fieis a si próprios, aos seus valores e às suas próprias opiniões. Por outras palavras, não são umas maria-vai-com-as-outras.

     Hoje em dia, a liberdade que temos para nos expressarmos, para nos comportarmos ou para nos relacionarmos com quem queremos leva, por vezes, a conflitos. Esses conflitos são, muitas vezes, alimentados pelas redes sociais: somos censurados pela cor de cabelo, pelo tom de pele, pelo peso, pela roupa que vestimos, por alguma coisa que dizemos, por alguma coisa que fazemos. Se temos algum tipo de “imperfeição”, não o devemos mostrar, porque é feio, porque dá uma imagem errada, mas se o tapamos, não o devíamos ter feito, porque passamos a mensagem de que não temos confiança em nós, que somos uma farsa, etc. Se viajarmos até ao tempo em que o escritor viveu (1883-1924), chegamos à conclusão de que essa liberdade não existia (ou, pelo menos, não totalmente), que a sociedade era uma sociedade opressora: as mulheres só serviam para donas de casa (para servirem as vontades dos maridos e educarem as crianças); os homens deviam ser “machões” (não partilhar os seus sentimentos, pelos menos em público, garantir o sustento e a ordem da família); as classes mais pobres deviam reverência às classes mais abastadas... Para mim, este livro é uma crítica de Kafka a esse tipo de sociedade.

 

     História

     O livro é bastante curto (menos de 100 páginas). Mas durante esse pequeno espaço, o autor preferiu que a história se focasse em poucos elementos (poucas personagens, a ação acontece sempre nos mesmos espaços – quarto de Gregor, sala e corredor – etc.), mantendo sempre uma estrutura bem definida e organizada.

 

     Personagens

     As personagens não são muitas: Gregor e a família, o patrão de Gregor, a empregada da casa e três homens que se hospedam na casa da família. Nem todas estas personagens são trabalhadas da mesma forma, o que dificulta a compreensão de algumas delas e da importância que têm na história.

 

     Escrita

     A escrita é simples e fácil de compreender.

 

     De uma maneira geral, este é um livro que recomendo. A história é original (pelo menos, em relação ao que tenho lido), é uma leitura simples, mas que, ao mesmo tempo, exige reflexão. É um daqueles livros que exige uma certa preparação prévia por parte do leitor, por isso, mesmo que o livro não seja cativante numa primeira leitura, ou que não se tenham sentido motivados para o ler depois de lerem esta ou outra resenha, ponham-no de parte, deixem-no a "marinar" durante algum tempo e regressem a ele mais tarde, quando se sentirem preparados.