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Como Hermione

Como Hermione

Plano Nacional de Leitura

24.09.21 | A Miúda

     O plano nacional de leitura (PNL), da responsabilidade do Ministério da Educação, tem como objetivo principal incentivar a população, através dos mais novos, ao hábito da leitura. Apesar da intenção ser boa, a leitura obrigatória pode levar a resultados que não são os pretendidos. No secundário, lembro-me de ter lido “Os Maias”, de Eça de Queirós, e “Memorial do Convento”, de José Saramago. Apesar de grandes obras, a leitura obrigatória d’Os Maias, fez com que eu ficasse com uma espécie de “alergia” ao livro e ao autor, de tal forma que nem cheguei a terminar o livro.

 

     A verdade é que o PNL tem livros para todas as idades e gostos e a lista vai sendo atualizada ao longo dos anos (e até tem um grupo de leitura no GoodReads - uma rede social dedicada ao mundo dos livros, que junta autores e leitores). Ao ver a lista para a década de 2017-2027, achei interessante a variedade de temas e a inclusão de livros sobre ciências e sobre diferentes figuras mundiais, mesmo nas recomendações para os mais novos. Também achei interessante ver que livros que li enquanto criança ainda hoje estão presentes: A Menina do Mar, de Sophia de Mello Breyner Andersen, A Fada Oriana, da mesma autora, O Gato Malhado e a Andorinha Sinhá, de Jorge Amado, Memorial do Convento, de José Saramago.

 

     A publicação da semana passada (ver aqui) teve como tema a importância da leitura. Se há quem a descarte, cada vez mais há quem se deixe render aos seus encantos. O PNL desempenha, sem dúvida alguma, um papel fundamental para a literacia da sociedade portuguesa. Um papel que é cada vez mais importante se considerarmos que a literatura vai sendo, muitas vezes, substituída pelas redes socais, videojogos ou pela televisão. Ler não é um passatempo acessível apenas a alguns. No meio digital e fora dele, existe quem venda livros a preços reduzidos (alfarrabistas); em alternativa, existem as bibliotecas.

 

     Boas leituras

A Importância da Leitura

17.09.21 | A Miúda

     Quando me lembro das aulas de português, lembro-me das minhas professoras falarem de como a leitura é importante para o nosso desenvolvimento e vocabulário e de como nós, alunos, devíamos cultivar esse hábito. De vez em quando, lá se vão vendo notícias a falar nesse assunto e estudos que avaliam a frequência de leitura e os géneros favoritos de cada um. As vantagens da leitura são várias, no entanto, para esta publicação trago apenas 5.

 

   1. Vocabulário

     Ler significa descobrir palavras novas. Quando leio, tenho sempre ao meu lado um papel ou caderno onde vou apontando cada descoberta.

     Se, para os adultos, treinar e aumentar o vocabulário é algo útil e importante, isso tem ainda mais importância em crianças e adolescentes, uma vez que ainda estão a aprender a expressar-se. Através da leitura, vão descobrindo novas palavras, o seu significado e forma de dizer e os contextos em que podem ser utilizadas.

 

   2. Compreensão

     No domingo, dia 5 de setembro, a propósito da festa do Avante, uma jornalista entrevistou um senhor que respondeu, não me lembro da pergunta, qualquer coisa como: “a falta de cultura leva à ignorância”.

     Para além de serem um passatempo, os livros ajudam a moldar o nosso pensamento e a desenvolver os nossos valores. Quando somos crianças, ajudam-nos a compreender o mundo que nos rodeia.

     Além disso, os livros contribuem para a nossa criatividade. Ao ler ficção ou um outro género literário, somos transportados para um novo mundo que existe dentro da nossa cabeça. Esse mundo não é igual para todos. A interpretação que fazemos do que lemos e a nossa imaginação tornam-no único para cada leitor.

 

   3. Memória

     Este ponto pode ser um pouco controverso. Se por um lado, a ciência nos diz que ler nos ajuda a treinar a memória, obrigando-nos a lembrar as características da história (os cenários, as personagens, a sua história, a sua personalidade, etc.), por outro, enquanto leitores, facilmente nos esquecemos de determinada personagem, como é que ela se enquadra na história, que ligação tem às outras personagens, etc.

 

   4. Socialização

     Quando lemos um livro ou descobrimos um autor que nos apaixona, temos vontade de expressar a nossa admiração com os nossos amigos e/ou familiares. E mesmo que sejamos mais tímidos e contidos na socialização, os livros dão-nos a oportunidade de conversar com alguém que tenha os mesmos gostos que nós, de forma virtual ou pessoal, através de clubes de leitura ou de outros espaços (por exemplo, bookstagram, comunidade da rede social Instagram dedicada aos livros).

 

   5. Concentração

     Quando entrei para a universidade e tinha viagens de 2 ou 3 horas para fazer, os livros tornaram-se os meus companheiros de viagem. Através da leitura (e da música), essas 2 horas pareciam que se transformavam em 30 minutos.

     Se durante as nossas tarefas diárias temos a mente sempre a pensar no que ainda falta fazer, com os níveis de ansiedade a aumentar, quando lemos a nossa atenção é direcionada para o momento presente. De certa forma, é como que se uma sessão de leitura se torne numa sessão de meditação e relaxamento.

 

     Dia 8 de setembro é o dia em que se celebra o Dia Internacional da Literacia. O que é “literacia”? Segundo o dicionário de língua portuguesa, é a capacidade de ler e escrever e a capacidade de utilizar esses elementos de forma a desenvolver os nossos conhecimentos, através do raciocínio lógico e da interpretação que fazemos de toda a informação que nos chega.

     Numa notícia que foi lançada no início de setembro, é referida a influência das redes sociais nas gerações mais novas, que afeta a sua literacia e, consequentemente, a sua capacidade de pensar. Isso fez-me lembrar uma professora da faculdade e um comentário dela a respeito da forma de estudar e de tirar apontamentos pelos alunos, hoje em dia. Dizia ela que no seu tempo de estudante, lia-se um livro e apontavam-se apenas as ideias principais, resumindo-se tudo ao máximo. Hoje, sublinhar uma ideia importante de um livro significa sublinhar uma folha inteira (ou até várias páginas). As gerações mais novas têm cada vez menos a capacidade de síntese, ou seja, têm cada vez menos a capacidade (ou vontade) de pensar (de forma crítica) sobre as informações que lhes chegam. E isso tem impacto na forma como compreendemos diversos problemas e em como expressamos os nossos sentimentos e opiniões. Daí a leitura (e a literatura) terem um papel tão importante no nosso desenvolvimento e no desenvolvimento dos mais novos!

 

     Fontes:

https://youngreadersfoundation.org/importance-of-reading/

https://omirante.pt/sociedade/2021-09-02-Literacia.-Como-a-falta-de-vocabulario-influencia-o-pensamento-14fd6f00

Playlist de agosto

10.09.21 | A Miúda

Nota: Para quem não estiver interessado em ler o texto, a playlist aparece no final da publicação!

     A música é algo que faz parte da minha vida, desde sempre. Aliás, penso que seja algo que faz parte da vida de todos nós. Tudo à nossa volta é música: a publicidade ou programas que vemos na televisão, aquilo que ouvimos na rádio, o próprio ambiente que nos rodeia. E ela desempenha um papel muito importante no nosso estado de espírito: com ela podemos sentir-nos mais "em baixo", mais tristes e depressivos, ou mais alegres e tranquilos.

     Da minha parte, a música sempre foi sinal de alegria e de união e, foi por isso que escolhi trazê-la para este espaço que é dedicado aos livros e às palavras.

 

     Se a playlist do mês passado foi dedicada em exclusivo aos artistas portugueses, a deste mês vai para além das terras lusitanas. Traz Taylor Swift, que apesar de eu não ser a sua maior fã (do trabalho dela, há coisas que gosto e outras que nem por isso), considero-a uma grande artista e uma excelente compositora; o seu mais recente álbum, foi uma surpresa bastante agradável e que ouço uma e outra vez! Traz, também, Lorde, que ficou conhecida pela "Royals" (uma das duas únicas canções que conhecia dela) e que, após um intervalo no mundo da música, lançou este ano um disco novo. Passando para os que me eram desconhecidos, desta playlist também fazem parte Time for T e Club del Río, Toby Sebastian e Florence Pugh, Sean Riley & The SlowRiders e The Greeting Committee.

     Mas, também os artistas portugueses estiveram presentes nos meus ouvidos, durante o mês de agosto. Apesar de não seguir com grande atenção o trabalho da Bárbara Tinoco, já deu para perceber que ela tem talento, não apenas enquanto cantora, como também enquanto compositora. Ouvi os Ciclo Preparatório, pela primeira vez, em 2013, por alturas das eleições autárquicas desse ano, e o "culpado" foi um dos partidos candidatos que utilizou a canção "A Volta Ao Mundo com a Lena D'Água" como canção de campanha. Aquilo que mais gosto neste grupo é a sua capacidade de misturar o antigo com o moderno. Por fim, também pertencem a esta lista: António Zambujo (uma grande voz, desta vez a acompanhar Bárbara Tinoco), Ana Bacalhau, D'alva e Cláudia Pascoal.

 

     Aceitam-se sugestões de canções/artistas para o mês de setembro!

 

 

Resenha Literária: A Virgem

03.09.21 | A Miúda

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     "A Virgem" conta a história de Portugal nos primórdios do século vinte, durante o Estado Novo. É centrada, essencialmente, em duas famílias, a do Coronel José Silveira e a do Conde, nas suas vivências, amores, perdas, etc. Mostra o contraste entre grupos privilegiados da sociedade e outros não tão afortunados, e entre aqueles que defendem a república e os que ainda acreditam no regresso da monarquia.

 

    Luís Miguel Rocha foi técnico de imagem, tradutor, editor e guionista até que, por fim, se dedicou em exclusivo à escrita. As suas principais obras abordam temas como a política, abuso de poder, maçonaria, entre outros, tendo o Vaticano como imagem de fundo: O Último Papa, Bala Santa, A Mentira Sagrada, A Filha do Papa e A Resignação. Faleceu a 26 de março de 2015, em Viana do Castelo.

 

     Luís Miguel Rocha é o meu escritor favorito. Quando me pedem para sugerir livros de mistério, os livros deste autor estão sempre no topo da lista. Por vários motivos: pela escrita, pela forma como o enredo é apresentado e pelas personagens. Tudo junto, faz com que o leitor se prenda ao livro e fique sempre com grande curiosidade em saber o que vem a seguir. Por tudo isto, quando comecei a ler "A Virgem", as expectativas eram bastante altas. E, honestamente, fiquei um pouco desiludida. Vamos por partes:

       ➙ Este livro é um romance, ao contrário dos outros do autor, que se enquadram nos géneros thriller, mistério e suspense;

          ➙ A ação acontece por volta de 1933, o que significa que existe todo um vocabulário desconhecido, mas que não dificulta a compreensão do texto;

          ➙ As personagens são bastante reais. Ou seja, o escritor não se preocupou em torná-las “perfeitas” nos atos e nas palavras. Antes, utiliza expressões do quotidiano, para além de lhes atribuir virtudes e defeitos que são bem percetíveis;

          ➙ Tendo em conta a época que é retratada, existem cenas que hoje em dia não seriam aceites pela maioria de nós. Nesta altura, e considerando também o contexto político que se vivia, a mulher tinha duas funções: reproduzir e tratar da casa. Ao longo do livro surgem episódios de desrespeito para com as mulheres, como maridos infiéis, homens que se aproveitam das empregadas e maridos que agridem as esposas pelo sexo da criança a que dão à luz;

          ➙ Em contrapartida, também nos são apresentadas mulheres fortes, que não se deixam dominar pelo patriarcado nem pelas normas sociais;

          ➙ O final do livro dá a sensação de obra inacabada. Do início ao final da obra, há momentos que focam na filha mais nova do coronel, no entanto, ela só nasce perto do final e o leitor fica sem perceber a real importância dela para a história ou o porquê de o escritor lhe dar vida.

 

     Comparando os livros que já li de Luís Miguel Rocha, “A Virgem” dá a ideia de que o autor estava a experimentar um género literário diferente ou, então, ainda estava à procura da sua identidade enquanto escritor. No final do livro, há uma nota do escritor a confessar que tinha começado a escrever “A Virgem” quando andava no secundário, para fazer “concorrência” ao “Memorial do Convento”, de José Saramago. Isso explica o género e a escrita. Em relação ao final, num comentário que li sobre esta obra, alguém dizia que este seria o primeiro livro de uma trilogia que o autor pretendia escrever. Talvez os próximos livros ajudariam a explicar algumas dúvidas que ficam da leitura deste.

 

     O que mais gostei foi a forma como a história foi narrada, com o narrador a assumir o papel de uma personagem extra, aproximando o leitor à narrativa.

 

     Para os amantes de Luís Miguel Rocha, fica desde já o aviso que esta obra não é, de todo, aquilo a que ele nos habituou. Recomendo o livro se gostarem de romances de época ou de história, uma vez que surgem personagens que marcaram a história de Portugal, como Salazar, o cardeal Cerejeira ou o soldado Milhões, por exemplo.