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Como Hermione

Como Hermione

Livro ou Filme: Qual o Melhor?

27.08.21 | A Miúda

     Os filmes e os livros têm o mesmo objetivo: contar uma história. No entanto, se no caso dos filmes a história é contada através de imagens e sons, nos livros a história é contada através de palavras escritas, sendo que as imagens (e por vezes os sons) acontecem na cabeça de cada leitor. Quais serão as principais diferenças entre estas duas formas de contar uma história? E será que a história é igual nas duas situações?

 

   1. Quantidade de informação

 

     Nem sempre toda a informação que é dada num livro é transferida para o cinema. Além disso, nem sempre as mesmas situações acontecem da mesma forma tanto no livro como no cinema.

     Quando um livro é adaptado para filme, existem muitos detalhes que se perdem: a ordem dos acontecimentos pode ser alterada, a forma como as coisas acontecem pode ser diferente, algumas personagens deixam de existir e outras perdem algumas das suas características. Por exemplo, quem viu os filmes da saga Harry Potter e nunca leu os livros, não saberá quem é o Peeves ou a Winky, não conhecerá a história da família Gaunt (importante para conhecer a origem de Voldemort), não saberá o que aconteceu aos pais de Neville Longbottom nem o que aconteceu ao professor Lockhart após o segundo filme.

 

   2. As personagens

 

  Por vezes, as características das personagens no filme não correspondem às características das mesmas personagens no livros. Isto porque, à medida que vamos lendo uma história, vamos criando as personagens na nossa cabeça, utilizando a informação que nos é dada. Nem sempre essa informação corresponde com o que vemos nos filmes e, grande parte das vezes, as personagens também são bem diferentes.

 

   3. Os acontecimentos

 

    Nem sempre a forma como determinada cena se desenrola corresponde ao que vemos nos filmes. Voltando ao universo Harry Potter, um grande exemplo disso acontece no primeiro livro, Harry Potter e a Pedra Filosofal. A determinada altura da história, existe uma discussão entre o Snape e Quirrell. Enquanto no livro essa discussão acontece na floresta, com Harry em cima de uma árvore e tapado com o seu manto da invisibilidade, no filme tudo se passa nos corredores de Hogwarts.

 

   4. Expectativa e medo

 

   Quando um dos livros que lemos é adaptado para o cinema, os sentimentos que nos dominam são: expectativa em saber se o filme nos toca da mesma maneira que o livro e medo de que os detalhes da história sejam demasiado alterados (ou que gostemos mais do filme do que do livro!).

 

   5. Filme ou livro?

 

    Nem sempre a história contada num filme corresponde à que é contada num livro, uma vez que existem bastantes detalhes que são excluídos das adaptações. Esses detalhes, mesmo que pareçam irrelevantes, são sempre importantes para a história e a sua falha nunca passa despercebida aos leitores. Por todos estes motivos e mais alguns, por vezes os livros são mais interessantes que os filmes. No entanto, existem situações em que os filmes são tão interessantes (ou melhores) que os livros. Um exemplo, na minha opinião, é a história das “Mulherzinhas”, de Louisa May Alcott. Apesar de gostar dos livros (Mulherzinhas + Boas Esposas), não os achei nada de extraordinário. Mas quando vi o filme fiquei admirada: a forma de apresentar os acontecimentos é claramente diferente – em vez de os contar de forma cronológica, a história salta sempre entre o presente e o passado – e, na minha opinião, o filme é mais cativante.

Na minha lista...

20.08.21 | A Miúda

... há lugar para diferentes géneros literários, para diferentes autores, para diferentes formas de contar uma história.

 

     Para um leitor, a lista de livros que queremos ler é algo que nunca tem fim. Existem sempre autores novos a serem descobertos, clássicos que nem sempre são fáceis de encontrar e o tempo e orçamento disponíveis muitas vezes escasseiam.

     Hoje trago alguns dos livros que estão na minha lista de desejos, não por estar à espera que eles venham ter à minha porta por obra e graça do espírito santo, mas antes para tentar perceber, através de outros leitores, se são leituras que valem a pena ou nem por isso.

     

----- Fantasia -----

 

     1. A biblioteca da meia-noite, de Matt Haig

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     No limiar entre a vida e a morte, depois de uma vida cheia de desgostos e carregada de remorsos, Nora Seed dá por si numa biblioteca onde o relógio marca sempre a meia-noite e as estantes estão repletas de livros que se estendem até perder de vista. Cada um desses livros oferece-lhe a hipótese de experimentar uma outra vida, de fazer novas escolhas, de corrigir erros, de perceber o que teria acontecido se tivesse escolhido um caminho diferente. As possibilidades são infinitas e vários horizontes abrem-se à sua frente.

     Mas será que algum desses caminhos lhe proporciona uma vida mais perfeita do que aquela que conheceu? Na altura da escolha final, Nora terá de olhar para dentro de si mesma e decidir o que de facto lhe preenche a vida e o que faz com que valha a pena vivê-la.

 

     2. Aquorea - Inspira, de M. G. Ferrey

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     No dia do funeral do avô, Arabela Rosialt afoga-se e, quando acorda, reencontra-o. A sua vida sofre uma reviravolta avassaladora ao descobrir que está em Aquorea: uma exótica e milenar comunidade que prosperou milhares de metros abaixo do nível do mar.

     Kai, um rapaz de inescrutáveis olhos azuis, com um comportamento enlouquecedor, umas vezes frio e sisudo, outras vezes arrebatador, atrai-a e repele-a em simultâneo. Deixando-a louca de raiva... e de desejo.

     Apesar das saudades infindáveis da sua família, Ara sente-se irresistivelmente atraída pelas novas amizades, a vida agitada e a existência daquela comunidade excêntrica, mas extremamente calorosa. Tudo parece perfeito, até que alguns habitantes de Aquorea começam a morrer. Quando ela percebe que, afinal, o seu mergulho não foi coincidência e que dela depende a salvação ou condenação daquele mundo, terá de enfrentar a decisão mais difícil da sua vida.

     Colocando as suas diferenças de lado, ambos tentarão perceber quem está por detrás dos assassinatos e daquela misteriosa conspiração.

 

----- Romance -----

 

     3. A vida secreta das viúvas de Panjábi, de Balli Kaur Jaswal

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     Nikki desiludiu a sua família conservadora várias vezes: desistiu da faculdade, saiu de casa e trabalha num pub, passando grande parte do tempo a tentar afastar-se das tradições indianas.

     Quando aceita dar aulas de escrita criativa no centro comunitário local, fica entusiasmada com a possibilidade de ajudar algumas viúvas da comunidade panjábi em Londres, mas o que encontra é um pequeno grupo de mulheres iletradas que, embora pouco interessadas nos ideais de Nikki, estão cheias de histórias para contar. Para sua surpresa, a aparente modéstia das viúvas esconde uma secreta vida interior rica em memórias e fantasias, o que transforma as aulas em momentos de partilha de contos apaixonantes e sensuais.

     Ao mesmo tempo que compartilham as suas fantasias mais secretas, as viúvas revelam alguns dos segredos mais sombrios da comunidade. Com as aulas a gerarem interesse em cada vez mais mulheres, Nikki e as alunas começam a correr alguns riscos. Conseguirá esta comunidade repressiva e controladora aceitar as aulas de escrita erótica e as cruéis verdades que aí são reveladas?

 

----- Mistério -----

 

     4. As sete mortes de Evelyn Hardcastle, de Stuart Turton

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     O que começa como uma celebração termina em tragédia. Os Hardcastle organizaram uma festa em Blackheath, a sua casa de campo, para anunciar o noivado da filha Evelyn. No final da noite, quando fogos de artifício explodem no céu, a jovem é morta.

     Mas Evelyn não vai morrer uma vez. Até que Aiden Bishop, um dos convidados, não resolva o seu assassinato, o dia vai repetir-se constantemente, sempre com o mesmo final triste.

     A única maneira de quebrar este ciclo é identificar o assassino. Sempre que o dia fatídico recomeça, Aiden acorda no corpo de um convidado diferente. E alguém está determinado a impedir Aiden de escapar de Blackheath.

 

----- Ficção Histórica -----

 

     5. A woman is no man (Uma mulher não é um homem), de Etaf Rum

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     Em Brooklyn, Deya de 18 anos, está a começar a encontrar-se com pretendentes. Embora ela não queira casar, os seus avós não lhe dão escolha. A história volta a repetir-se: a mãe de Deya, Isra, também não teve escolha quando deixou a Palestina ainda adolescente para se casar com Adam. Embora Deya tenha sido criada para acreditar que os seus pais morreram num acidente de viação, um bilhete secreto de uma mulher misteriosa, mas de aparência familiar, faz Deya questionar tudo o que foi dito sobre o seu passado. Conforme a narrativa alterna entre as vidas de Deya e Isra, ela começa a entender os segredos obscuros e complexos por trás da sua comunidade.

 

 

----- Não-ficção -----

 

     6. So you want to talk about race (Então queres falar de raça), de Ijeoma Oluo

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     Ijeoma Oluo oferece uma visão contemporânea e acessível do panorama racial na América, abordando de frente questões como privilégio, brutalidade policial, interseccionalidade, micro-agressões, o movimento Black Lives Matter e a palavra “n”.

 

     Perfeitamente posicionada para preencher a lacuna entre as pessoas de cor e americanos brancos que lutam com complexidades raciais, Oluo responde às perguntas que os leitores não se atrevem a fazer e explica os conceitos que continuam a iludir os americanos comuns.

 

 

     7. Guia das boas raparigas para serem cabras, de Alexandra Reinwarth

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     Não precisa de ser mais simpática, mais calma ou mais paciente. Se calhar só precisa de ser uma cabra…


     Aprenda neste precioso manual a arte de relativizar problemas, ser assertiva e estar-se realmente a "cagar" para tudo o que limita a vida das mulheres nos nossos dias - desde o peso da carga mental à pressão para ter um corpo de praia, do parceiro que ajuda em casa ao chefe que não a valoriza, das opiniões dos outros à sua opinião sobre si mesma.


     Melhore a sua relação com o amor, as amizades, a família, o trabalho, o dinheiro, a saúde - e consigo mesma, aprendendo a dizer não ao que não quer, sim ao que quer, e fazendo um pirete à ansiedade e às preocupações.

 

     8. Salvar o planeta começa ao pequeno-almoço, de Jonathan Safran Foer

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     Um apelo urgente e impossível de ignorar que nos força a abrir os olhos e a mente para o estado de emergência climática que vivemos hoje.

     Jonathan Safran Foer, um dos mais brilhantes, originais e promissores escritores da sua geração, sabe que é da maior gravidade a crise ambiental que vivemos hoje, e que é vital o envolvimento de todos nós na solução deste problema.

     Por isso, escreveu Salvar o Planeta Começa ao Pequeno-Almoço: Porque o clima somos nós. Porque é urgente conhecermos os números, mas mais importante ainda é sentirmos que eles têm um efeito direto nas nossas vidas e, sobretudo, que cada um, individualmente, apesar da nossa humana relutância em mudarmos os nossos hábitos, pode fazer um mundo de diferença.

 

     9. A abelha boa, de Alison Benjamin e Brian McCallum

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     Sem abelhas, o mundo simplesmente não funcionaria. Ajudar e proteger estas preciosas criaturas torna-se, assim, imperativo para a sobrevivência do planeta. No entanto, não se pode salvar o que não se ama, tal como não se pode amar o que se desconhece, e este livro vem colmatar essa lacuna.

     Em A Abelha Boa, os especialistas Alison Benjamin e Brian McCallum partilham a sua admiração por esta vital e misteriosa criatura, ao mesmo tempo que indicam o caminho para uma viagem de descoberta às complexidades do seu comportamento.

 

 

     Dos leitores que por aqui andam, já alguém leu algum destes livros? 

     Boas leituras!

 

     Nota 1: As imagens e as sinopses foram retiradas do site Goodreads e da livraria Wook.

     Nota 2: Todos os títulos têm ligação direta à livraria Wook.

Playlist de julho

13.08.21 | A Miúda

     Música é a “arte de exprimir sentimentos e emoções por meio de sons”. É o que dá "vida" aos filmes que vemos e, independentemente do género musical em questão, é algo que faz parte do nosso quotidiano. 

     Para hoje, trago uma lista das canções que fui ouvindo durante o mês de julho. Algumas ouvi pela primeira vez, outras nem por isso, mas todas fazem uma homenagem à nossa língua, com artistas de várias gerações.

 

     Para os mais ou menos distraídos, no dia 17 de julho decorreu a 3ª edição dos Prémios Play da Música Portuguesa. Numa época em que por vezes parece que o pensamento é de que só no estrangeiro se fazem coisas boas, estes Prémios Play mostram que também nos países de língua oficial portuguesa se faz boa música, que os nossos artistas são tão bons (ou melhores) quanto os estrangeiros e que os artistas portugueses merecem todo o nosso carinho e admiração. Para quem não viu ou para quem quiser rever, podem ver aqui aquele que foi, na minha opinião, o melhor momento da cerimónia: a abertura.

     Também, em abril a RTP transmitiu um concerto de comemoração do 25 de abril (disponível no site do canal), cantado por Agir e que contou com a presença de vários convidados, como Ana Bacalhau, Carolina Milhanas e Gaspar Varela. Vou ser sincera, nunca dei grande atenção ao trabalho do Agir, mas fiquei muito impressionada pelo que ouvi nesse concerto. Ao longo de várias canções que marcaram a Revolução dos Cravos e o período em que ela se deu, ouvi o filho de uma das grandes vozes de abril (e uma das minhas favoritas, Paulo de Carvalho) homenagear de uma forma linda e comovente aqueles que lutaram pela nossa liberdade e os artistas que fizeram da sua voz a sua arma.

 

     A lista musical do mês de julho contém artistas mais velhos, como Amália Rodrigues, Paulo de Carvalho e Carlos do Carmo, juntando-se-lhes uma nova geração de artistas: Carolina Deslandes, Ana Moura, Sara Correia, Buba Espinho, Agir, Claúdia Pascoal, Elisa, entre outros.

 

     Bom fim de semana!

 

 

Resenha Literária: Obras de Agatha Christie

06.08.21 | A Miúda

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     Este “Obras de Agatha Christie” apresenta várias pequenas obras da autora. A primeira intitulada “Poirot perdeu uma cliente” e as restantes “Crime nos estábulos”, “O roubo incrível”, “O espelho do morto” e “Triângulo em Rodes”. Quando comprei o livro, a um alfarrabista na Feira do Livro de Aveiro, não reparei que ele não vinha completo. Falta-lhe a primeira parte e, por isso, o primeiro título não faz parte desta resenha. De qualquer das formas, todas estas obras contam com a presença do melhor detetive alguma vez criado, Monsieur Hercule Poirot.

     Apesar de ser mais conhecida no mundo do crime (não como criminosa, mas como escritora deste género), Agatha Christie também escreveu alguns romances, assinados com o pseudónimo Mary Westmacott. Ela utiliza aspetos da sua vida como inspiração para as suas obras. Por exemplo, o trabalho que desenvolveu nas duas Grandes Guerras como enfermeira e assistente de farmácia, levou a que muitos dos crimes que escreveu se tenham dado através de venenos.

 

     Nota: o resumo e comentários das obras não contêm spoilers!

 

     Crime nos estábulos

     Nesta primeira história, Poirot é chamado para auxiliar a desvendar um suposto homicídio.

     No dia seguinte a uma noite de festa e de fogo de artifício, Mrs Allen, que partilhava um apartamento com uma amiga, é encontrada trancada no seu quarto e sem vida.  A causa da morte: um tiro de revólver. Tudo aponta para que Mrs Allen tenha sido assassinada, no entanto, Poirot tem outra opinião.

 

   O roubo incrível

     Após um jantar em casa de Lorde Mayfield, documentos importantes relativos a planos de uma bomba desaparecem. As suspeitas recaem sobre Mrs Vanderlyn, conhecida entre os homens como uma impostora e uma espia que, apesar da fama, é convidada para o jantar. No jantar, a estas duas personagens juntam-se outras que são tão suspeitas quanto Mrs Vanderlyn. Será que os documentos foram mesmo roubados?

 

    O espelho do morto

     O morto é Gervase Chevenix-Gore, homem importante e muito rico. Percebe-se que alguma coisa não está bem quando, à hora do jantar, Sir Gervase não aparece.

     O crime acontece em casa do morto, antes da chegada de Poirot, que tinha sido previamente chamado por Sir Gervase. Para o jantar estavam vários convidados que partilham, com maior ou menor rigor, da mesma versão dos acontecimentos. Estarão todos a mentir?

 

   Triângulo em Rodes

       Nem quando está de férias, Poirot se vê livre dos crimes. Esta obra reflete a célebre frase que diz que não devemos julgar um livro pela capa.

     Valentina é uma mulher convencida e muito atrevida, considerada uma “caçadora de homens”. Apesar de estar de férias com o marido, nada a impede de tentar a sua sorte com Douglas Gold que, apesar de ser descrito como um homem bastante atraente, também é apresentado como sendo alguém sem qualquer conteúdo ou inteligência. A sua esposa, Marjorie, é tida como boa pessoa e uma mulher bastante tímida.

     O crime, pensado e organizado com antecedência, acontece perto do final da história.

 

    Comentários

     Enquanto leitores, quando lemos uma história, por vezes vamos adivinhando o que vem a seguir ou qual será o final da obra. No caso de Agatha Christie, algo que adoro nos seus livros é o facto de isso não acontecer. Cada frase, cada capítulo é uma surpresa e cada crime não tem uma solução imediata. Ou, pelo menos, não para mim. Ao longo de cada história, são dadas pistas que se podem adequar a qualquer personagem, todos podem ser suspeitos. Além disso, nunca é dito tudo; há sempre qualquer coisa que é guardada para o final.

 

     Na minha opinião, a leitura de cada uma destas obras é agradável e fluída e a escrita é cativante, de tal forma que deixa o leitor curioso sobre o que será que vai acontecer. Honestamente, não foi o melhor livro que li da autora, achei muito mais interessante “Um Crime no Expresso do Oriente”, mas, ainda assim, é uma excelente leitura para quem gosta de crimes e de mistérios.

     Em relação à escrita/edição do livro, encontrei alguns erros ortográficos, mas nada que atrapalhasse a leitura. Não sei de quando é a edição que eu li, afinal de contas faltavam muitas páginas, mas deduzo que seja uma edição já antiga.