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Como Hermione

Como Hermione

Desafio dos Pássaros 3.0: Tema 7

31.07.21 | A Miúda

     E eis que chegamos ao fim do Desafio dos Pássaros. Ao longo destas semanas, nem todos os temas foram simples de compor, alguns foram mesmo tirados a ferros. Apesar de todos os participantes terem o mesmo ponto de partida, foi interessante ver o rumo que cada um optou por tomar.

     O tema desta semana, a última deste desafio, foi:

Um negacionista, um padre e o Gustavo Santos entram num bar…

 

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     Faz neste dia um ano que aconteceu a história que aqui hoje vou contar. Tudo se passou no bar da sede da comissão de festas em honra de São Tiago. Apesar de a romaria não se realizar, devido à nova doença que tão depressa se tornou mundial, a sede não estava vazia. Lá dentro, alguns membros da comissão estavam reunidos, com as devidas precauções. Até o cura da aldeia lá estava. Nunca em toda a sua longa vida sacerdotal nem durante os anos que a antecederam, se lembra o padre de ter faltado à festa de São Tiago ou de ela não se ter realizado. Mais do que a festa em homenagem ao padroeiro, esta era a altura em que muitos regressavam à terra. Nesse ano, não houve festa nem reunião.

     Mas voltemos à sede, que foi lá onde tudo se passou. Estava o padre e um dos seus paroquianos sentados numa mesa, no bar da sede. A conversa, como não podia deixar de ser, tinha como tema o novo coronavírus.

     - Olhe, Padre, quer saber o que eu penso? Esta coisa do vírus é tudo uma treta. Quem o inventou foi esperto, vamos ser honestos, está a ver o que está a acontecer com as vacinas e as farmacêuticas? O vírus foi inventado para elas ganharem dinheiro. Pensam que enganam assim o povo, mas a mim não. E quer saber mais, há quem diga que estas vacinas têm qualquer coisa lá dentro que nos vai controlar, que o governo vai usar para saber onde é que o zé povinho anda, com quem e a fazer o quê. E olhe que eu acredito. A mim não me apanham eles.

     - Não, irmão. Esta doença foi um castigo do Senhor. O Senhor está a castigar-nos por andarmos nesta vida só a fazer maldades, a causar dor, a ignorar quem precisa da nossa ajuda. Sim, ao Senhor bom Deus não lhe faltam razões para estar triste e magoado connosco.

     Estavam os dois tão embrenhados na conversa, que nem se deram conta de que alguém se tinha aproximado.

     - Perdoem eu estar a intrometer assim na vossa conversa, meus senhores, mas eu não concordo com nenhum dos dois. Em parte, concordo com o Senhor Padre, a Covid é um sinal do universo. Mas não porque uma entidade superior está chateada connosco. A Covid é um sinal de que as coisas como estão não podem continuar, é um sinal de que andamos todos com a cabeça no ar, preocupados com as coisas erradas e incapazes de amar o próximo. É verdade. A preocupação da maioria de nós é o dinheiro, queremos sempre mais, vivemos tão obcecados com isso que depois tudo o resto é secundário, não interessa. A Covid veio para transmitir uma mensagem de amor. Algumas pessoas vão manter o que sempre foram antes da pandemia, mas outras vão despertar e ainda bem.

     - E qual é a sua graça, irmão? – pergunta o padre.

     - Gustavo Santos – responde o terceiro.

4 Motivos para Comprar Livros Usados

23.07.21 | A Miúda

rabbit_fotografie.jpg

Fonte: Pixabay | @rabbit_fotografie

 

     Há uns tempos fiz uma sondagem na página de instagram do blogue (quem se quiser juntar a mim por lá, é só clicar aqui), para tentar perceber algumas preferências daqueles que me seguem, em relação aos livros e à literatura. Uma das perguntas era sobre se as pessoas preferiam livros novos ou livros usados. E eis o porquê desta questão: enquanto engenheira do ambiente/ambientalista/o que preferirem, aos poucos tenho vindo a tentar tornar o meu estilo de vida mais sustentável, mais consciente e com menos impacto no planeta. Um dia estive a pensar como em alguns países é normal comprar coisas usadas ou levar para casa objetos que alguém deixou na rua para quem os quisesse, enquanto noutros essas coisas não são vistas com tão bons olhos. Em Portugal, ou pelo menos na minha terra, o correto é comprar novo, comprar usado é para quem não tem tantas possibilidades. E não pensem que eu moro numa zona em que é só “tias” e “tios”. Nada disso, moro numa pequena aldeia do interior, no baixo Minho. Recuando ao tempo de juventude dos meus avós (e até mesmo dos meus pais), as pessoas não tinham grandes posses e, por isso, ficavam muito orgulhosas e vaidosas quando conseguiam, de longe a longe, comprar uma peça de roupa nova para levar à igreja ou à festa da aldeia. Talvez seja esse o motivo deste preconceito, talvez não, não sei. O que sei é que ele existe, sem necessidade.

     Mas vá, voltando ao início e à sondagem que lancei a perguntar se as pessoas preferiam livros novos ou usados. Pode-se dizer que as respostas deram em empate, não houve preferência por nenhuma das opções em especial. No entanto, fiquei a pensar: quais são as principais diferenças entre livros novos e livros em segunda mão e porque é que haveria de haver preferência por alguma destas opções? Afinal, livros são livros. O conteúdo não se altera conforme o número de mãos por que passa. Eis as minhas conclusões:

 

   Mais baratos

     Comprar usado é, normalmente, mais barato que comprar novo. No caso dos livros, isso também acontece.

     Quando vou a alguma feira do livro (o que é raro, confesso), procuro sempre as bancadas dos alfarrabistas (vendem livros antigos ou usados). Em resultado disso, já consegui encontrar livros a 2,50€ cada!

     O preço de um livro depende de vários fatores, como o tamanho, a edição, a coleção a que pertence, etc. E exemplo dessas oscilações de preço é um livro que já referi aqui várias vezes, “A Morgadinha dos Canaviais”. Existem edições desse livro a 16,50€ e outras a 4,46€ (comprando novo). Este foi um dos livros que comprei a 2,50€.

     Mas resumindo, comprar livros usados é uma boa opção para quem tem um orçamento mais reduzido, ou simplesmente, para quem quer gastar menos. Existem livros usados, que são vendidos como tal, apesar de nunca terem sido lidos, e outros que revelam maior uso. Da minha parte, antes de comprar online, peço sempre que o vendedor envie fotografias que comprovem o estado do livro.

 

   Mais ecológicos

     Há uma frase que diz que “o desperdício de um homem é a riqueza de outro”, ou qualquer coisa do género. Esta é a ideia que serve de base ao conceito de economia circular: aquilo que não tem utilidade para mim, terá utilidade para alguém. Este conceito é muito importante porque, se por um lado, ao aplicá-lo estamos a evitar que materiais sejam enviados para aterro, mantendo-os em circulação, por outro, conseguimos evitar que sejam gastos mais recursos para produzir novos materiais.

 

   Mais história

     Um livro usado tem mais história, e aqui não estou a falar da que vem impressa nas suas folhas. Para além dessa, este tipo de livros conta também a história dos lugares por onde já passaram, dos seus antigos donos, alguns podem até trazer bilhetes escondidos. Por exemplo, este ano comprei um exemplar de “Os Maias”, de Eça de Queirós. Ao longo do livro encontrei vários apontamentos que o antigo dono escreveu para as aulas de Português. Esses apontamentos podem não me vir a servir para nada, afinal de contas, já não estou no secundário, mas levam-me a imaginar quem será a pessoa que os escreveu.

 

   Mais variedade

     Por muito que goste de ler livros de autores recentes, de vez em quando gosto de me encontrar com autores mais antigos, que me permitam descobrir valores e tradições diferentes dos atuais.

     Existem livros que são difíceis de encontrar nas livrarias. E é aí que os alfarrabistas ou as páginas online que vendem livros usados entram e vou dar dois exemplos. Primeiro, o livro “A Virgem”, de Luís Miguel Rocha. Apesar de ler e adorar os livros deste autor, não conseguia encontrar este em lado nenhum. Nas várias livrarias onde procurei, estava sempre esgotado, até que o consegui encontrar em segunda mão. Outro exemplo foi a coleção de Victor Hugo, “Os Miseráveis”. Não exagero quando digo que a procurei ao longo de vários anos e durante esse tempo havia sempre dois problemas: ou não conseguia encontrar a coleção completa, ou conseguia, mas era demasiado cara. Solução: comprar usada!

 

     Resumindo e concluindo, por muito agradável que seja entrar numa livraria, agarrar num livro, cheirá-lo e poder levá-lo para casa, comprar um livro usado é tão bom ou melhor: é mais barato e mais sustentável que um livro novo; nos espaços que os vendem existe maior variedade, o que inclui raridades e coleções especiais; ainda, comprando usado estão a ajudar espaços que correm o risco de fechar (como os alfarrabistas).

 

     Leitores da sapolândia, digam de vossa justiça: no que a livros diz respeito, têm preferência por novos ou usado?

Desafio dos Pássaros 3.0: Tema 6

16.07.21 | A Miúda

     Eu que pensava que os temas das semanas anteriores tinham sido difíceis, foi lançado mais um que elevou a fasquia. Colocar Bill Gates, a indústria alimentar, a Xana Toc Toc e polichinelos no mesmo texto, criando uma teoria da conspiração não é fácil. Em especial quando não se conhecem algumas coisas. Polichinelos? O que é isso? Segundo os Dicionários Porto Editora, polichinelo significa

teatro: personagem tradicional das farsas napolitanas, barrigudo e de nariz adunco

palhaço; bobo; saltimbanco

popular: homem apalhaçado

popular, figurado: indivíduo que muda muitas vezes de opinião

Brasil: exercício de ginástica que consiste numa série de saltos dados no mesmo lugar, acompanhados com a abertura de braços e pernas em simultâneo

     Para o tema, mantive a última definição. Além disso, ressuscitei as cuscas do primeiro tema, as vizinhas alcoviteiras que patrulham as ruas à procura de novidades. Cá vai:

 

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     Naquele dia de verão corria uma brisa fresca, que de leve não tinha nada, os pássaros piavam felizes nos ramos das árvores, as galinhas cantavam, ao longe ouviam-se os carros no lufa-lufa habitual de um dia de trabalho.

     Cedo, os dois membros mais velhos da patrulha da rua juntaram-se, ao pequeno-almoço, para fazer o que faziam de melhor: comentar a vida dos vizinhos. Hoje foi a vez da Dona Ester, a vizinha alta, de olhos escuros e rosto simpático, que mora no meio da rua, ir a casa da Dona Beatriz, a vizinha mais baixa, um tanto ou quanto corcunda, mas sempre muito alegre, que mora no final da rua. Era segunda-feira e havia muitas novidades para contar, não tivesse a Dona Ester passado o dia anterior com a vizinha da casa número 1, a Dona Laurinda, a mais nova das três.

     A Dona Ester chegou a casa da Dona Beatriz empolgada, queria contar tudo à amiga, mas ao mesmo tempo queria esperar pelo momento mais oportuno. E esse momento chegou quando, finalmente, o marido da segunda saiu para o campo e quando as filhas saíram para o trabalho. Finalmente podia-lhe contar que ia haver um vizinho novo na aldeia, um homem conhecido no mundo inteiro pelo seu trabalho nas ciências e pelas causas que apoiava.

     - Com tanto dinheiro e tanto por onde escolher, ele vem para aqui? Bill Gates vem para a nossa aldeia? – perguntou, incrédula, a Dona Beatriz.

     - Sim, foi o que ouvi – responde a Dona Ester. Ao que parece, separou-se da mulher e quer aproveitar para fazer umas férias, longe da confusão. Mas tu não sabes, consta por aí que o Tico e o Teco dele não estão lá muito bem. Eu não sei se é verdade ou não, mas disse-me a neta da Laurinda, que ele anda a inventar uma comida qualquer que mantém as pessoas jovens. Como um elixir da juventude, sabes? Segundo ele, quem comer aquilo todos os dias, ouvir a Xana Toc Toc de manhã e à noite e fizer polichinelos durante 1 hora por dia, não envelhece. Mantém-se jovem para sempre, com grande energia e boa disposição. E diz quem sabe, que ele só está a fazer isto para se vingar da ex-mulher. Com a separação, ela ficou à frente dos negócios. Com esta nova invenção, ele está a ver se as coisas voltam a ser dele.

     - Ele até pode estar taralhouco, mas olha que se isso funcionar, vai ser uma revolução na indústria alimentar. Estão sempre a inventar coisas novas, essa será só mais uma.

Resenha Literária: Capitães da Areia

09.07.21 | A Miúda

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     “Capitães da Areia” é um romance da autoria do escritor brasileiro Jorge Amado.

   A ação localiza-se na Bahia, Brasil. O livro retrata as aventuras de um grupo de meninos, em especial de Pedro Bala (o chefe), Pirulito, Professor, Gato, Volta Seca, Sem-Pernas, Boa-Vida e João Grande, ao qual, a determinada altura, se junta Dora.

 

     A história relata os acontecimentos de um grupo de crianças, com idades entre os 8 e os 16 anos, que apesar de tão novos, já são homens. Umas fugiram de casa, outras são órfãs e não têm ninguém que cuide delas. No fundo, são crianças abandonadas, esquecidas e negligenciadas pela sociedade, incapaz de perceber os motivos que as levam a atos violentos e que nada faz para as ajudar. Quando alguma destas crianças é apanhada, é presa ou enviada para o reformatório. Independentemente da escolha, são vítimas de atos violentos, que em vez de as ajudar, só faz com que fiquem ainda mais revoltadas e agressivas. Os únicos que ajudam estas crianças e lhes tentam dar algum conforto é Don’Aninha e o padre José Pedro.

 

     Este é um livro que nos faz pensar. Por um lado, podemos ver estas crianças como sendo um “caso perdido”, por outro, considerando-as “vítimas das circunstâncias”. Na realidade, são crianças que não têm ninguém e que têm no grupo dos Capitães da Areia o seu único porto de abrigo, a sua única família. São crianças que, apesar das suas idades, se comportam como homens adultos. Roubam para sobreviver. Algumas são agressivas e violentas, devido a acontecimentos passados: por não terem ninguém, pela sociedade não olhar para elas, pelos ricos os ajudarem apenas para “parecer bem” ou porque sentem essa necessidade, apesar de se arrependerem, com rapidez, da ajuda dada. No fundo, são crianças que crescem e vivem sem amor, sem qualquer carinho e o modo de vida que levam é a única solução que encontram para sobreviver. Apesar disso, quando lemos o livro, vemos que cada criança é diferente, com diferentes sonhos para o futuro. Há quem queira seguir o sacerdócio ou a pintura, por exemplo, e apesar de não terem ninguém, basta alguém reparar nelas e dar-lhes uma oportunidade, para que os seus sonhos se realizem.  

 

     O livro faz uma crítica à sociedade e, ainda que tenha sido publicado em 1937, essa crítica é ainda muito atual. Com os "Capitães da Areia", Jorge Amado faz uma crítica à sociedade que julga alguém com base no que vê, sem se preocupar em saber os motivos que levam a determinadas ações ou a determinadas circunstâncias. Quantos de nós, por exemplo, quando se cruza com um sem-abrigo ou um pedinte, prefere olhar para o lado e fingir que estas pessoas não existem? Ou assume logo que estas pessoas estão nesta situação porque não querem trabalhar? Ou então, que o pedinte está a pedir dinheiro para comprar droga em vez de comida?

 

     Apesar de, ao ler a história, muitas vezes me sentir transportada para a ação, a principal dificuldade que senti ao ler este livro deveu-se à forma como estava escrita. O livro está escrito em português do Brasil e algumas expressões/palavras eram-me totalmente desconhecidas. Os personagens têm características que os tornam reais. A escrita é fluída e cativante. É um livro que recomendo!

 

     Onde comprar o livro:

     Quem preferir comprar o livro em segunda mão, algumas das lojas anteriores têm essa opção, caso contrário podem ver na Trade Stories (loja online de compra e venda de livros usados).

 

     Bom fim de semana e boas leituras! 

Desafio dos Pássaros 3.0: Tema 5

02.07.21 | A Miúda

     Tema desta semana: descrever 

um encontro entre um anão e uma bodybuilder, marcado por ele, através do Tinder.

 

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     Não há nada que deixe o Miguel à beira de um ataque de ansiedade para além de conhecer pessoas novas. Desde criança que é tratado de forma diferente, primeiro pela família, depois mais tarde pelos colegas. Foi sempre o coitadinho que tinha nascido defeituoso, o último a ser escolhido qualquer que fosse a ocasião, aquele que todos achavam que estava destinado a ficar sozinho e abandonado.

 

     O encontro foi marcado por ele, via Tinder, mas já se tinha arrependido de o ter feito, apesar de ela sempre se ter mostrado bastante simpática e pouco preocupada com a sua condição física. Escolheu o seu local favorito: um café perto de casa, um verdadeiro paraíso no meio do bulício infernal da cidade. Um cantinho sossegado que muitas vezes passava despercebido. À entrada, a dar as boas-vindas estavam belas hortênsias de várias cores, cujo cheiro sempre se misturava com o do pão acabado de sair do forno. O interior era um espaço acolhedor, com plantas de alto a baixo, e com uma minibiblioteca.

 

    Ele foi o primeiro a chegar e mal podia acreditar no que estava a ver quando ela entrou pouco tempo depois. Era a mulher mais bonita que ele alguma vez viu. Era linda. Não pelo seu aspeto físico, mas pela forma como andava, segura de si mesma, confiante. Ela viu-o e sentou-se à mesa com ele. Apresentaram-se. Dos dois, nenhum andava à procura de romance; antes, procuravam companhia, alguém com quem falar, alguém que lhes fizesse esquecer a dor de não ter ninguém a quem confiar as alegrias e tristezas da vida. Ela contou-lhe que os filhos moravam longe, que o marido já tinha falecido. Nessa altura, decidiu entrar para o ginásio, primeiro para evitar o normal definhamento, segundo para se entreter. Contou-lhe que começou a dedicar cada vez mais do seu tempo à prática de exercício físico, que isso a tinha feito ganhar qualidade de vida e confiança em si. Que as pessoas têm a ideia de que a velhice é sinónimo de fraqueza, mas que ela queria mostrar que não tem de ser assim. Ela era a prova viva de que o avançar da idade não tem de significar perda de capacidades. Ele contou-lhe que nunca teve uma oportunidade para formar família, que nunca ninguém conseguiu olhar para ele e ver além da sua condição. Contou-lhe que sempre se sentiu esquecido e maltratado, ignorado e desprezado. Ela foi a primeira que o aceitou, que o tratou como alguém normal e que lhe deu confiança para dizer o que sentia. E sabia tão bem.

 

    Quem olhasse para aquela mesa acharia a imagem interessante: um anão e uma bodybuilder, ambos na casa dos 70 anos, a rirem-se como se não houvesse ninguém à volta. Mas o que ninguém sabia é que, apesar das grandes diferenças, havia muitas coisas que os uniam. E aquele encontro, que o Miguel se tinha arrependido de marcar, foi o início de uma grande e bela amizade.